sexta-feira, 28 de março de 2008

Manifesto (Do lat. manifestu-, «manifesto; evidente») acto ou efeito de manifestar;

Manifesto contra a mudança de hora!
Em conversa com o meu amigo Guga e depois de umas jolinhas na Rocha começamos a dissertar sobre a mudança da hora, que vai acontecer já neste fim de semana. E deixo já aqui o meu protesto contra tal situação, sabendo, com toda a certeza, que terei, pelo menos, todo o apoio do meu camarada Guga.
Isto de adaptar a hora segundo o meridiano de Greenwich é uma treta. Alguém nos perguntou se concordavamos com isso? Tiveram os senhores da Comissão Permanente da Hora (isto agora existem comissões para tudo) a preocupação de saber a nossa opinião? Nós, o Zé Povinho que somos quem faz andar o país para a frente? A resposta é um não redondo.
Primeiro: eu não vou reger a minha vida por um tal de meridiano de Greenwich. Um meridiano que é posse de uma bruxa verde que não sabe dizer os t’s... Por favor!!! Não tem credibilidade nenhuma. Se bem se lembram, na primária havia sempre aqueles colegas que não diziam os l’s ou carregavam nos r’s... e eram ou não os mais gozados? Além dos gordinhos e dos que usavam óculos de fundo de garrafa? Não que fossem menos por terem tal particularidade, mas que eram os mais gozados eram. Enfim: eu já não acredito em bruxas muito menos em bruxas verdes que não sabem dizer os t’s. E não me venham com a história do “pero qué las hay, hay!”. Hay mas é em Espanha e se eles quiserem que mudem eles a hora.
Segundo: os defensores da mudança da hora baseiam a dua teoria no facto de “no inverno é bom porque temos mais uma hora para dormir e já não acordamos de noite e ainda saímos das actividades profissionais de dia...”. No verão dizem que “é bom porque apesar de dormir menos uma hora, os dias são maiores e ainda saímos mais tarde de casa e chegamos mais cedo e não sei quê...”. Tretas!!!
Pela parte que me toca, trabalho sempre as mesmas horas seja verão ou inverno, seja noite ou seja dia, faça chuva ou faça sol. É tão doloroso de uma forma ou de outra. Ninguém me paga mais por entrar às 9.00 que dantes eram 8.00 e sair às 18.00 que dantes eram 19.00.
Terceiro: O facto de a hora mudar de sábado para domingo é no mínimo maléfico e cruel para os jovens adultos portugueses.
Se no inverno é mau porque pensamos “Epá, temos mais uma hora para curtir” e nessa hora bebem-se mais 3 ou 4 bacardis, no verão pensamos “Ah e tal, não é por que a hora muda que vou mais cedo para a cama”. E os 3 ou 4 bacardis são bebidos na mesma com a diferença que na segunda-feira seguinte vamos mais debilitados para o trabalho e o rendimento é menor. É por estas e por outras que o país não anda para a frente.
Sinceramente acho que a tal Comissão Permanente da Hora é composta maioritariamente pelas entidades patronais.
Ninguém nos vai compensar pela hora a menos que vamos descansar neste fim de semana. O trabalhinho vai ser o mesmo e com o mesmo número de horas... ou mais porque vamos ter que compensar o fraco rendimento que vamos ter na segunda-feira.
Porque não mudar a hora na primeira quarta-feira de abril? E porque não mudar logo as duas horas, a de verão e de inverno ao mesmo tempo?
A minha sugestão é: na próxima quarta-feira quando forem 12.00 adaptamos ao horário de verão e aí já serão 13.00. Às 13.00 voltamos a adaptar os relógios ao horário de inverno e então serão 13.00. Como estamos em greve tiramos a tarde para ir em excursão para a porta do governo a cantar e não sei quê... Uma tarde ganha! Aproveitamos e ao fim da tarde telefonamos ao papa Ratzis e dizemos que ele tem de vir no dia seguinte para desvendar o 4º segredo de Fátima. O papa não vem cá assim com tanta frequência e como somos todos muito católicos e os nossos patrões também, temos de ter o dia para vermos sua santidade a chegar ao aeroporto da Portela. Aproveitando o tema religioso fazemos com que sexta-feira seja santa (já que está sempre a mudar) e ficamos com mais um feriado... E aí está o fim de semana à porta outra vez!
Assinam a petição?





(Um grande bem haja ao amigo Guga por me ter dado a ideia para a realização deste texto)

Verbos (Do lat. verbu-, «palavra») forma de enunciação do pensamento através das palavras; elocução; forma de expressão;

Tudo se passou numa sexta-feira quando, ao final do dia e aproveitando o facto de ser véspera do dia da mulher, fui ao cabeleireiro esticar a minha farta cabeleira.

Estava eu à espera de ser atendida (coisa muito comum em Marrocos, mesmo que não esteja ninguém na nossa frente), quando chega uma senhora com um ar bastante digno e começa à conversa com a Sra. D. Cabeleireira. O tema era “qual a hipótese de marcar para fazer madeixas este fim de semana”.

À partida não parece um tema nada interessante mas eu (e desculpem-me se sou louca) estava fascinada com a conversa.

Claro que tal marcação era impossível porque a Sra. D. Cabeleireira já tinha a agenda cheia (ou como ela dizia: “tenho aquilo cheio”, tendo nós, deste lado, nos pormos a adivinhar o que será “aquilo”).

Um aparte: não imaginam de como é aqui o dia da mulher! Um monte de mulheres histéricas que se juntam e jantam e vão para a noite, histéricas, de todas as idades, com clações que nem as nádegas tapam e com brilhantes nos sítios menos imagináveis... Uma loucura (de galinheiro, como devem calcular)!

Voltando ao tema central. Mesmo estando com “aquilo” cheio, a Sra. D. Cabeleireira, com a sua simpatia e bondade lá arranjou um buraquinho “naquilo” para a Sra. D. Digna ir lá pôr-se toda jeitosa. A Sra. D. Digna respondeu prontamente que não que aquela hora era inconveniente, era perto do almoço e tal... Mas insistiu que de qualquer maneira, e pegando nas suas palavras, “ Se eu vir de manhã às compras, eu logo passo por aqui.”

“Se eu vir de manhã às compras”??? Será que a Sra. D. Digna tem uma doença rara que só de manhã cega? Tipo “Ah e tal! Das 8.00 às 11.00 não posso trabalhar porque estou de baixa porque tenho uma doença rara em que cego de manhã!!”. Mas mesmo assim não faria sentido.

Faria sentido sim “Se eu vir de manhã as compras” e não “Se eu vir de manhã às compras”.
Mas não. A ideia era mesmo dizer “Se eu vier de manhã às compras...” tal e tal.

Esta é mais uma das particularidades deste povo que dia a dia me vem suspreendendo com os seus hábitos e costumes. Pura e simplesmente eles abuliram o futuro subjectivo do verbo vir da sua gramática.

Presente do indicativo do verbo vir
Eu venho
Tu vens
Ele/Ela vem
Nós vimos
Vós vindes
Eles/Elas vêm

Futuro subjectivo do verbo vir
...eu vier
...tu vieres
...ele/ela vier
...nós viermos
...vós vierdes
...eles/elas vierem

Futuro subjectivo do verbo vir (para os Algarvios)
...eu vir
...tu vires
...ele/ela vir
...nós virmos
...vós ... (este eles não usam)
...eles/elas virem

Coisa mais simples... Alminhas felizardas que têm um verbo a menos para decorar! Temos tantos, se economizarmos... Não são tão tolos como possamos pensar.

E se juntarmos o futuro subjectivo do verbo pôr: “Quando põres gasolina no carro eu logo irei à da ‘nha mãe mais ele”.

Presente do indicativo do verbo pôr
Eu ponho
Tu pões
Ele/Ela põe
Nós pomos
Vós pondes
Eles/Elas põem

Futuro subjectivo do verbo pôr
...eu puser
...tu puseres
...ele/ela puser
...nós pusermos
...vós puserdes
...eles/elas puserem

Futuro subjectivo do verbo pôr (para os Algarvios)
...eu pôr
...tu pores
...ele/ela por
...nós pormos
...vós ...
...eles/elas porem

Mais um tempo verbal poupado. Vai buscaaar!!

Outra particularidade deste magnífico povo é o facto de não se referirem aos objectos e às pessoas através dos seus nomes. Falam sempre d’ele ou d’ela, sendo que nós, tal como já referi, é que temos de perceber de quem ou de quê é que estes seres estão a falar... Não se diz: “Fui com a Ana almoçar à casa da minha avó!”. Diz-se “Fui com ela almoçar à da ‘nha avó!”.

Bem não me vou estender muito mais até porque já me basta ter a cabeça a prémio na vila onde o mar é mais azul.

“Cô brutes, na lutes! C’os moços sã marafados! Deve de ser das besaranhas que lá se fazerem sentir!”.

Resta-me dizer (e convém porque a minha entidade patronal é Algarvia) que, apesar da comunicação ser difícil, os simpáticos habitantes desta região “receberem-me” muito bem e daqui não quero sair! Ao que eles me respondem: “Ma q’jête! Há-des crer e nás de ter!”

quarta-feira, 26 de março de 2008

Pirâmide (Do gr. pyramís, -ídos, «id.», pelo lat. pyramìde-, «id.») qualquer objecto cuja forma seja a deste poliedro;

Sexta-feira, 25 de Março de 2007, sexta feira que por acaso era santa... ou pelo menos assim o consideram. Decidi mudar de ares e render-me à Rocha onde tenho a impressão que meia Espanha passou a Páscoa.
Fui ter com o amigo Guga ao bar do costume (dele) e apresentaram-me um jogo que me fez pensar que se aquilo fosse jogado a dinheiro eu estaria rica: o jogo chama-se “Pirâmide”.
Sorte de principiante (ou não) saiu-me tudo.
O jogo consiste em: fazer uma base de 3 canecas de cerveja, em que só uma está cheia, graças aos santinhos (que abençoam a Páscoa). De seguida põe-se uma base de copo e depois um shot à escolha (tem de ser um copo um pouco maior que os de shot, mas não convém que a quantidade de bebida seja proporcional), depois outra base, outro shot, outra base, outro shot (este já pode ser com um copo mesmo de shot), outra base, outro shot, outra base e por fim um cigarro. Vejam a foto de apresentação acho que é bastante ilustrativa.
Como se joga: com um dado. Cada pessoa lança o dado e se lhe calhar o número 1 vai tirando peças da pirâmide. Ora o cigarro, ora a base de copo, ora o shot, ora a base de copo e assim sucessivamente até chegar à caneca. Obviamente cada vez que se tira o shot tem de se beber. As bases de copos não é preciso serem comidas. Mas por exemplo o cigarro, para quem for fumador sabe sempre bem.
O passo final é: a pessoa que saiu a caneca de imperial tem de a beber até o jogador a seguir lhe sair o numero 1 no dado (atenção que neste caso é sempre o mesmo jogador que joga e não vai rodando pelos outros). Se sair 1 enquanto o outro não acabar a caneca, quem paga é o que está a beber (fosse mais rápido). Se quem está a beber mandar um ganda penalty no caneco e beber aquilo tudo de uma golada e o que está a lançar o dado não tiver tempo sequer para lhe sair o 1, quem paga é o que está a lançar o dado.
E pronto... é uma forma rápida e eficaz de ficar inconsciente, ainda por cima se tiverem a sorte que eu tive que logo no primeiro jogo me saiu tudo excepto um dos shots... até o cigarro me saiu!!!
Experimentem... é engraçado! De preferência experimentem isto em casa, ao contrário do que se costuma dizer.

sábado, 15 de março de 2008

Sonhador (De sonhar+-dor) que está frequentemente alheado ou perdido em devaneios;

A Desgraça do Sonhador

“E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos... não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?”

Fiodor Dostoievski, in 'Escritos Ocasionais'

al (Do lat. ale- por aliud, «outra coisa») outra coisa;